Rasguei o véu da minha paciência,
estraçalhei as vestes da minha tolerância,
que agora está nua diante das injustiças,
e tenho gritado a minha sufocada opinião
esbravejei contra os ventos tempestuosos,
que faz sofrer a minha existência.
Não me venham falar de salvação,
quem nada produz senão, falação,
juízes insensatos da vida alheia,
para longe, os santinhos que escondem seus pecados,
por traz de tantas máscaras de uma falsa humildade,
os que se veem santos através dos espelhos da ilusão.
Há tantos que passam a vida a mendigar o pão,
comendo as ofertas frias da maldade dos soberbos,
dos estranhos e da própria consanguinidade,
apanhando míseras migalhas espalhadas pelo chão.
Que desçam ao pó os muros da indiferença!
Que voltem a agir as mãos que doam sem nenhuma intenção.
Que a justiça divina encha os celeiros vazios,
das pobres massas viventes do mundo,
que tem consigo tanta fome de amor e de afeição!
Pelas ruas perambulam as vítimas da incompreensão,
com seus pés cansados e tanta fome na boca e no coração,
de olhos tristes, fogem dos mundos sombrios.
Rozilda Euzebio Costa
Arte / Ilustração: By Rozilda Euzebio Costa

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