De chegar depressa em algum lugar.
O menino desviava de pessoas e coisas,
E tinha uma energia interminável,
Corria velozmente rumo ao futuro,
Como se tivesse deixado os seus brinquedos por lá.
E com toda essa correria,
Sem ouvir e sem dar satisfação a ninguém,
A sua vida, aquele menino seguiu vivendo.
Esse menino se chamava TEMPO.
(A infância é desbravadora, tem a pressa de conhecer o futuro, é inconstante como o vento e tem uma alma indomável como o tempo.)
Eu vi uma mulher que também corria sem distração,
Ela desejava ansiosamente vencer o tempo,
Andava pela vida tão obstinada e veloz
Que de querer voar, dava a todos a impressão.
Queria ultrapassar seus próprios limites,
Seus olhos estavam voltados para o futuro,
Nele estava também a sua atenção.
Em suas mãos, uma pasta com vários papéis,
Rascunhos de projetos e de sonhos em construção.
E essa mulher se chamava PRESSA.
(A juventude é movida pela força do imediatismo e põe no guidão de suas metas e conquistas uma pressa desenfreada.)
Eu vi passar também um homem bem alinhado,
Não aparentava estar correndo em busca de alguma coisa,
Seguia com equilíbrio e tranquilidade
E tinha em seu caminhar certo ritmo e precisão,
Às vezes reduzia a velocidade de seus passos,
Como quem sabe que o futuro é agora,
E a felicidade pode estar em qualquer lugar.
Esse homem se chamava RAZÃO.
(Chega uma fase na vida do homem em que ele começa a compreender a importância das coisas em sua vida. Ele então começa a agir e tomar suas decisões baseadas na razão.)
Eu vi ainda um ancião que caminhava lentamente,
Tinha cabelos brancos e olhar calmo,
Ele não pretendia alcançar o TEMPO,
Nem entrar em disputa com a PRESSA,
Ele seguia seu caminho a passos tranquilos,
E olhava no rosto das pessoas com atenção,
Cumprimentava a todos, gentilmente.
E esse ancião se chamava MATURIDADE.
(A maturidade é o conhecimento da razão e o despertar da consciência. Para alguns a maturidade chega mais cedo, para outros, ela demora pra chegar. E para uma grande parcela de pessoas a maturidade talvez nunca chegue.)
Depois de ver passar TEMPO, PRESSA, RAZÃO e MATURIDADE,
Eu ouvi o canto harmônico de um pássaro
Que estava pousado no galho de uma cerejeira.
Ele assobiava alegremente uma linda melodia,
Parecia estar agradecido e muito satisfeito
Com a oportunidade de viver que recebia.
Não tinha pressa, nem projetos e nem cansaço,
Não se importava com o passar das horas do seu dia,
Não desejava voar para alcançar o futuro,
Nem quebrar recorde ou vencer alguma barreira.
E esse pássaro se chamava SERENIDADE.
(A SERENIDADE é um estágio elevado de alma e consciência. É quando o homem já viveu várias experiências de vida e já não corre mais contra o TEMPO. Já não faz mais as suas escolhas e nem toma as suas decisões com base na PRESSA. Já aprendeu a usar a RAZÃO para discernir. Já descobriu que a vida não é um campo de batalhas, e que o seu próximo não é um concorrente seu. O único concorrente que o homem tem é ele mesmo, quando disputa uma guerra contra suas dúvidas e seus próprios medos.
O homem encontra a serenidade quando descobre que o futuro é uma incerteza, e que a única coisa que realmente conta é o seu momento presente. E esse presente é o que a vida apresenta diante dele espontaneamente. É no instante em que o homem se dá conta disso que ele se torna o dono de seu destino, guiando com discernimento o seu tempo, a sua velocidade e a sua razão, alcançando assim, a sua maturidade e serenidade.
Rozilda Euzebio Costa
Arte / Ilustração By Rozilda Euzebio Costa










