sábado, 12 de outubro de 2024

Poesia de incompreensão: Materialidade


Vejo cenários de um dia de verão,
e também de uma jornada invernal.
O que foi feito do ontem?
O que está sendo feito do hoje,
E o que será feito do amanhã?
Quem pode dizer alguma coisa que seja legal?






Estou parado no vão do tempo dimensional,
de pé, recostado numa parede esperando o trem,
tudo que vejo é imensidão de espaço e coisas do além,
não consigo tocar em nada mesmo esticando o braço,
é um paradigma da materialidade universal,
onde tudo é mundo que gira pelo espaço sideral,
e tudo parece ser bem preciso e ocasional.

Se me torno matéria tocável me deparo com a limitação,
e dentro de mim existe um motor chamado, coração,
gerador de batimentos rítmicos variados
que me causam uma tal sensação!
O que é isso, mundo?
O que é isso!?
O que é essa coisa chamada de emoção?

Eu poderia ser uma águia ou um cavalo,
O que me daria mais satisfação,
planar acima das correntes de ar do Sul?
Ou tropear bem devagar pelo chão,
sentindo o impacto dos meus cascos
enquanto desejo aquele horizonte azul?

Enquanto existindo em matéria tocável,
o céu me olha assim de repente,
e parece querer depressa me levar,
me ver entre conflitos por aqui lhe parece ser insuportável,
e o céu me parece tão atraente e adorável!

Morro a cada instante em que o mundo me vira as costas,
e morrer para o mundo é ganhar a liberdade para as estrelas,
quem sabe o mundo não seja assim tão mal,
e o seu problema seja uma dor infernal,
nos calos dos pés que o mantém de pé em um lamaçal.


Rozilda Euzebio Costa

Arte / Ilustração By Rozilda Euzebio Costa

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