sábado, 12 de outubro de 2024

Poesia da procura: Savanas













Nas savanas agrestes e selvagens dos teus olhos,
minha alma caminha solitária e amedrontada,
onde está a tua caverna aconchegante ó rei leão?
Dá-me de beber das águas de teu riacho escondido,
Tenho sede, tenho sono e tenho tanto medo!
Não vês que padeço nas trilhas de tuas perigosas savanas?
Volta os teus sentidos em minha direção,
vem me encontrar nessa penosa paisagem,
onde tudo parece querer me devorar,
até o sol se torna inimigo ao meio dia,
e o vento a ele se curva em obediência.

As noites são senhoras sombrias e misteriosas,
que me fazem os terríveis pesadelos encontrar.
Quero pão, quero vinho e quero o teu peito,
e nada mais me importa senão a minha vida junto a tua.

Nas alvoradas coloridas e refrescantes,
centenas de andorinhas passam pela minha visão,
Onde vão?
Onde vão todas elas voando nesta imensidão?!
Procuram certamente novas terras e novos cenários,
porque ninguém gera fruto onde não consegue criar raiz,
onde não exista razões para ser feliz.

As flores do meu jardim procuram o vaso do teu coração,
acorda rei leão!
Acorda desse sono de tamanha profusão!

As feras dessa fria e assustadora paisagem
me olham obstinadas como se eu fosse um pedaço de pão,
estão famintas e querem alimentar suas necessidades,
mas há uma força que me transporta e me liberta
dessa fome feroz que a vida faz atingir a todas elas sem distinção.

E no abstrato contexto de minhas razões,
surgem os gigantes pensamentos em discussão,
decidem entre eles o que fazer de minha desolação,
e me carregam para longe das bocas devoradoras de sonhos,
dando-me a chance da libertação.

Reclina-te sensivelmente à altura do meu olhar ó rei leão!
Olha dentro dos meus olhos profundos e cansados,
neles, está o mapa que nos levará rumo ao paraíso,
pegue o mapa sem demora e o decifre com precisão,
para que esta viagem não fique perdida,
no agreste selvagem do mundo ou num deserto sem estação.


Rozilda Euzebio Costa
Arte / Ilustração: By Rozilda Euzebio Costa

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